Sunday, November 11, 2007

O tornado do medo

Nunca houve sensação tão poderosa.

Transforma-nos.

Planta ideias na nossa mente.

Põe-nos palavras na boca.

Activa nervos adormecidos.

Revoluciona a paz da nossa alma.

E depois abandona-nos despedaçados.

Nuvem

Tenho medo de ti.

De me aproximar, de me confiar.

Posso ficar sem mim outra vez.

Sem nada,

Tenho medo.

Mas a vontade existe, e o coração também.

A sombra assusta e puxa-me para trás.

Fico longe a seguir-te com o olhar, não te toco.

Tenho medo!

E tu também, mas aí do alto.

Cacos de Alma

Cacos de alma

Dói-me até à alma

Não sei onde acabo e tu começas

Não sei quem é mais, tu ou eu

Eu sou menos, disso tenho a certeza

Este inconstante cansa-me

Os olhos pesam, a cara cai

E a vida vai-se

Onde está o amor?

Friday, March 23, 2007

A eterna adolescência?

Pensava-me despachada do existencialismo juvenil e confortável no conformismo da idade, mas estava errada... Bom ou mau? Se calhar o sossego dos anos não é para mim.
Alguém me fez com este relógio apetrechado de despertador infalível e que marca sonoramente os segundos.
No outro dia, falava-se sobre o antigamente, aquele tempo tão presente em mim como os que vivi. Dizia-se que as pessoas tinham (eram) mais características.
Talvez a liberdade sejam antagonista da afirmação pessoal. Irónico. A verdade é que nunca se viu tanta massificação de tudo e todos, seres vivos e não vivos. Todos iguais. A diferença dá trabalho e não tem graça.
Eu não concordo e não estou sozinha, o que me deixa mais descansada, já que faço parte desta geração.
Porque é que numa sociedade pacífica e estável há umas décadas, em que o instinto de sobrevivência básico não faz sentido e cada vez mais obcecada pelo bem estar, há tanta fome de defesa? Porquê tanto medo? Medo de fronteiras falsamente pessoais, tremer por uma opinião, corar por uma dúvida?
Uma felicidade superficial, mas que não dá chatice.
O problema é que não nos toca, nem nos ensina. E será que quem tem direito ao dom da vida não tem o dever de procurar mais?

Saturday, February 24, 2007

Vidas

É engraçado olhar para a nossa evolução. Ou passamos pelo mesmo ciclo repetidamente ou permanecemos com o passado. Não sei se me faço entender. Parece-me que em termos antropológicos já se descobriu e experimentou tudo, ou o tornamos a fazer ou adoptamos uma só maneira já testada.

Depois de ultrapassada a base da pirâmide de Maslow, satisfazendo as necessidades fisiológicas, de segurança, sociais e de auto-estima, enveredámos por outros caminhos. Abraham Maslow acertou em tudo, menos no vértice: auto-realização??? Não vejo ninguém interessar-se por isso. Alguém vê?

Vejo outros caminhos, invenções, ideias estrambólicas e sem sentido.

Como tornar certo uma mãe matar o seu filho, filmes acerca de crianças que torturam adultos, experiências de comer hamburgers e batatas fritas a todas as refeições, negócios engenhosamente fraudulentos. Isto é realização pessoal?

Parece que voltámos ao antropocentrismo renascentista com mais maldade e menos arte.

Perdemos força...

"Um rapaz cujo nome lhe foi dado honrando o seu irmão mais velho, que morrera dois anos antes do seu nascimento ficou órfão de Pai aos três anos. Cresceu a ver a Mãe criar quatro filhos sozinha e sendo constantemente atacada pela sua irmã.

Aos onze anos revoltou-se com a sua situação familiar e a Igreja recolheu-o. Viveu a sua adolescência em luta com a Mãe e com o seu novo amor. Já adulto, conseguiu acalmar a sua Mãe e esta escolheu viver o resto dos seus anos de vida num convento."

Hoje em dia, este rapaz estaria num colégio interno ou no bairro alto a fazer graffitis.

Há novecentos anos, este rapaz venceu os mouros, o seu primo e fundou um reino.

Foi o primeiro Rei de Portugal.

E esta, hein?

Thursday, February 22, 2007

Aim


Começo a ver a vida de maneira diferente.
Pode haver simplicidade ou complexidade, gosto ou indiferença, seriedade ou brincadeira... a noite passava-se a juntar todos os antónimos.
Há variedade.
Antónimo de ser humano é não gostar dela.
Adiante, mais que escolher um deles por gosto ou por razão está o ser.
Será que o ser se escolhe? O tão moderno carisma?
Acho que se treina, a ver, a sentir, a reagir.
Perde-se a consciência de que nem tudo depende de nós, mas somos o resultado de divisões nanométricas, no milionésimo de segundo exacto e de uma combinação perfeita e pensada de 30 mil genes.
Não temos de ser dignos e gratos disto mesmo?
A desumanização impressiona-me porque não nos torna verdadeiramente animais, nem vegetais, nem protistas; forma-se um reino inominado, sem características próprias.
Viva cada ser humano! Sejamos verdadeiros, reais, sinceros, objectivos; gritemos, respiremos, sintamos. E pensemos!
É tão simples... aim.




Thursday, February 01, 2007

A Liberdade da Vontade

A liberdade devia ser um diploma de final de curso.

“Parabéns, acabou a licenciatura em Bom Senso, com média de 16 valores.

Parabéns, aqui tem a liberdade!”.

A duração é variável, mas nunca menos de 23 anos. As disciplinas seriam variadas, mas nunca escolhidas pelo aluno, claro.

Desde "Inteligência e visão I, II e III", "Responsabilidade", "Altruísmo I e II", “Caridade prática”, “Bem comum”, “Saber dialogar”, “Verdade e sinceridade”, “Aprender a esperar”, “Reflexão e construção de um mundo interior”, “Cultura geral”, todas obrigatórias e com exame final (sem época de recurso).

Mas os alunos têm gosto no que estudam, os professores querem ensinar e toda a gente é ouvida, desde que já tenham passado no exame de “Respeito pelo próprio e pelos outros”.

Parece bom? É mesmo, porque o único requisito é o Amor.

Quanto a pagamentos, não há um valor certo, cada um dá o que quer desde que não seja em euros.

Sunday, January 28, 2007


O poder do tempo... Mas sim, eu ainda acredito em utopias e resguardo a minha meteorologia interior da neve que cai em Lisboa!
Não estou sozinha, sou única...

Friday, January 26, 2007

Enigma em Pessoa

Bom é que não esqueçais
Que o que dá ao amor rara qualidade
É a sua timidez envergonhada
Entregai-vos ao travo doce das delicias
Que filhas são dos seus tormentos
Porém, não busqueis poder no amor
Que só quem da sua lei se sente escravo
Pode considerar-se realmente livre