Saturday, February 24, 2007

Vidas

É engraçado olhar para a nossa evolução. Ou passamos pelo mesmo ciclo repetidamente ou permanecemos com o passado. Não sei se me faço entender. Parece-me que em termos antropológicos já se descobriu e experimentou tudo, ou o tornamos a fazer ou adoptamos uma só maneira já testada.

Depois de ultrapassada a base da pirâmide de Maslow, satisfazendo as necessidades fisiológicas, de segurança, sociais e de auto-estima, enveredámos por outros caminhos. Abraham Maslow acertou em tudo, menos no vértice: auto-realização??? Não vejo ninguém interessar-se por isso. Alguém vê?

Vejo outros caminhos, invenções, ideias estrambólicas e sem sentido.

Como tornar certo uma mãe matar o seu filho, filmes acerca de crianças que torturam adultos, experiências de comer hamburgers e batatas fritas a todas as refeições, negócios engenhosamente fraudulentos. Isto é realização pessoal?

Parece que voltámos ao antropocentrismo renascentista com mais maldade e menos arte.

Perdemos força...

"Um rapaz cujo nome lhe foi dado honrando o seu irmão mais velho, que morrera dois anos antes do seu nascimento ficou órfão de Pai aos três anos. Cresceu a ver a Mãe criar quatro filhos sozinha e sendo constantemente atacada pela sua irmã.

Aos onze anos revoltou-se com a sua situação familiar e a Igreja recolheu-o. Viveu a sua adolescência em luta com a Mãe e com o seu novo amor. Já adulto, conseguiu acalmar a sua Mãe e esta escolheu viver o resto dos seus anos de vida num convento."

Hoje em dia, este rapaz estaria num colégio interno ou no bairro alto a fazer graffitis.

Há novecentos anos, este rapaz venceu os mouros, o seu primo e fundou um reino.

Foi o primeiro Rei de Portugal.

E esta, hein?

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